O mundo que conhecemos hoje é parte de sucessivas construções e reconstruções de processos sociais distintos ainda que interligados entre si. O desenvolvimento de tecnologias industriais e de tecnologias da comunicação impulsionou o processo de globalização que procura, ideologicamente, unificar o mundo sob a quimera da igualdade social feito por esse processo. A análise educativa, envolta sob os moldes da globalização, está tão inclusa dentro do sistema quanto tudo a nossa volta. O sistema educativo despertou repudia, inicialmente, ao aceitar as tecnologias usadas na educação que é perfeitamente compreensível, uma vez que, o gênero de vida de determinado povo influi neste processo; este uso que, hoje, reflete um mau uso na educação sobre tudo dos estudantes que em parcela é remetido à má formação dos professores. Ao falarmos em novas tecnologias procuraremos refletir sobre o amplo, mas, sobretudo o computador e as redes junto com todos os condicionantes vindos. Trataremos como que o computador e a internet são incorporados ou não nos sistemas público e particular de educação fazendo uma análise de casos isolados da Escola Maria Ivone Santos de Oliveira do ensino público e da Escola SESI Trapiche, tentando compreender as facilidades no intermédio do conhecimento propiciadas pelas novas tecnologias e como a políticas públicas e governamentais diferem-se fisicamente e culturalmente nesses dois espaços.
Introdução
Há um mundo totalmente novo e reconstrutível ao alcance de todos, pronto para ser mediador de conhecimentos, facilitador de sonhos, viagens profundas, rápidas e distantes, mas que não é visitado com freqüência. Essa afirmação compreende um espaço novo e rediscutido pelos educadores em todo o mundo: o uso das novas tecnologias na educação. Mas que novas tecnologias são essas?
No inicio do século XXI uma explosão de caminhos abriram-se expulsando a todo o momento produtos tecnológicos frutos do acúmulo de conhecimento em todas as partes do mundo: são celulares, computadores, chips, armazenadores de dados, internet, redes sociais e toda a gama de meios de obtenção de dados é informações, tal como a sua troca e interação dos sujeitos ligados por redes invisíveis que cortam o mundo em todas as direções. E nesse panorama a educação não poderia afastar-se ou excluir-se do processo, uma vez que, é essencial para o desenvolvimento humano e de determinada nação. As novas tecnologias permitem o acesso a uma infinidade de informações facilitadas ao aluno: uma simples pesquisa de uma palavra qualquer num site de busca da internet abre uma magnitude de informações a serem usadas pelo pesquisador. Essa é a maior contribuição das novas tecnologias, não apenas no panorama educativo, mas econômico, político e social.
O discutido aqui é a capacidade ideológica e de uso dessas tecnologias nos determinados sistemas de ensino, pois são essenciais em rede, mas é a separação e distinção do bom e do ruim ao uso que é o maior desafio para as escolas, hoje.
O espaço educativo, a escola, localiza-se num bairro periférico da capital do estado que há mais de 20 anos ostenta a maior taxa de analfabetismo entre as 26 unidades da federação: Alagoas. É também o estado que trás consigo uma herança colonial de ordem feudal e puramente agrícola de exportação.
Entender as raízes do estado, bem como seu condicionamento histórico, político, e econômico é fundamental para análise educativa. Ora, analisar a educação sob os elementos tradicionais do quadro-negro, giz, locução e recepção de informação, parece-nos difícil a este país que ostenta por volta de 14 milhões de analfabetos maiores ou iguais a 15 anos, segundo os dados do IBGE, parece-nos aleatório. Quando esta análise transcende o campo da modernidade, e elementos como a internet e o computador entram para a conjuntura educativa a situação torna-se mais complexa. A escola é composta por estudantes do entorno dos conjuntos: Eustáquio Gomes, Forene e Santos Dumont e adjacências, ambos compadecem em ter num mesmo território avizinhado do Presídio da Capital Alagoana: Maceió.
A estrutura escolar é carente, apesar de a escola ter sido inaugurada em 2009: ela acumula carteiras quebradas sob a ação dos próprios alunos, (figura 1). Infiltrações no teto e nas paredes do prédio, além de contar com uma deficiência no quadro de funcionários da escola, entre professores e funcionários administrativos. Como construir espaços de educação formativa e crítica em meio a esses entraves? Que tipo de professor seria necessário a essas estruturas: armado e pronto para guerrilhas?
Disponível em: http://www.alagoasweb.com/noticia/9433-video:-jornal-nacional-mostra-descaso-na-educacao-publica-em-alagoas
O Laboratório de Informática
Na Escola Maria Ivone há um laboratório de Informática que faz parte de um programa federal do governo em que cada escola da rede estadual de ensino era contemplada com um laboratório de computação.
O laboratório conta com cerca de vinte e cinco computadores, mas segundo a secretária da instituição, apenas quatro funcionam em bom estado. Quando questionada sobre o uso dos computadores em sala de aula pelos professores, ela fala que quase não são usados devido a quantia de alunos ser superior ao número de computadores. Mesmo que todos os computadores estivessem funcionando seria necessária a utilização de uma máquina para dois ou três alunos ou dividir a turma em horários específicos para o laboratório. Boa parte destes encontram-se quebrados e amontoados no próprio laboratório (figuras 2 e 3) retratando o destino do dinheiro público e mostrando que não adianta apenas a existência de materiais, se não houver preparação dos indivíduos que os usam.
Figuras 2 e 3
Escola SESI Trapiche
Uma das escolas selecionadas foi a Escola SESI Trapiche, da rede privada, localizada na Avenida Siqueira Campos, 1900, Trapiche da Barra. Esta escola atende aos alunos do Ensino Infantil e ao Fundamental I.
Histórico
Por iniciativa da Confederação Nacional da Indústria – CNI e da Federação das Associações Comerciais do Brasil, o empresariado reuniu-se na 1ª Conferencia Nacional de Classe Produtora e elaborou um documento conhecido como Carta Econômica de Teresópolis. A carta é de 1945 e deixa bem claro: era preciso haver um plano de ação social para o Brasil.
Se o trabalhador não tivesse acesso à educação, a serviços de saúde, alimentação, a industrial não conseguiria se desenvolver. Afinal, qual é a empresa que funciona bem com os trabalhadores doentes, mal-alimentados, cansados e quase sem educação.
É aí que entra o SESI. Os empresários acreditavam, como acreditam ainda hoje, que cada um deve fazer a sua parte. Não basta só cobrar do governo. O SESI é a parte do empresariado. Foi criado para melhorar a vida do trabalhador da indústria, oferecendo, a ele educação, saúde, lazer e outros serviços sociais.
A primeira unidade criada em Alagoas nasceu em 7 de agosto de 1946. O Sistema Indústria visando atender um número maior de alunos criou uma nova unidade que funcionaria como extensão da Escola SESI Cambona. Assim nasceu a 7 anos a Escola SESI Trapiche. Que hoje atende 210 alunos.
Descrição da Visita
A visita ocorreu no período de 16 a 31 de maio de 2011. Primeiramente, após a liberação da direção escolar, foi observado o espaço. A escola conta com:
· Uma guarita;
· Pátio externo amplo;
· 08 salas de aula;
· Laboratório de informática;
· Biblioteca;
· Secretária;
· Sala do professores;
· Sala da orientação e psicopedagoga;
· Sala da coordenação;
· Sala da direção;
· Copa;
· Cantina;
· Campo de futebol
· 2 banheiros para os alunos;
· 2 banheiros para os colaboradores;
· 2 almoxarifados;
· Recepção.
As salas são organizadas e arejadas, todas com ventiladores e janelas. Os quadros são duplos (branco e negro). Entretanto estão passando por um processo de modificação. Conta, também, com uma equipe de estagiários para auxiliarem no andamento das atividades, assim como um Orientador de Disciplina.
A proposta era de visitar uma escola da rede pública e averiguar o uso do sistema de informação usado pelos professores, gestores e alunos. Porém, a escola como é da rede privada trabalho com o sistema operacional Windows para todos os computadores. Para os professores, gestores e secretaria, existe um programa específico para matrícula, boleto, declaração e implantação de notas chamado Zeus. Foram feitas entrevistas com professores para verificar o nível de compreensão em torno das tecnologias sistema de informação. [1]
Considerações Finais
Ambas as escolas propostas no estudo contam com laboratório de informática disponível aos alunos, embora que no caso da escola dirigida pelo poder público à manutenção das máquinas é um problema grave que desestimula o uso desses novos instrumentos pedagógicos pelo professor.
Explica a diretora adjunta que a burocracia com o manejo do patrimônio prejudica a reposição do material quebrado e até mesmo seu conserto. Há constantes solicitações junto
à Secretaria Estadual de Educação - SEE para que fosse resolvida a situação, mas apenas são agendadas trocas, manutenção e novos equipamentos.
à Secretaria Estadual de Educação - SEE para que fosse resolvida a situação, mas apenas são agendadas trocas, manutenção e novos equipamentos.
Um dos professores da entrevista, que encontra-se em anexo, fala que o uso de computadores não é possível por que, mesmo que o laboratório estivesse em perfeitas condições, existe uma carência em metodologias de trabalho da parte do professor e da escola. O profissional da educação que está formada e atuando não tem uma vivência mergulhada nesses novos paradigmas agora postos pela globalização.
Necessita-se de uma preparação que surja não apenas da escola, mas de todo o sistema educativo para fazer com que os programas de inclusão social por intermédio da inclusão digital deem-se tão somente na escola a fim de suprir a necessidade daqueles que estão em formação ainda que ao mesmo tempo construa a formação “inclusiva” daqueles que já estão fora do sistema educativo formal.
Pode-se concluir que a existência de recursos físicos ( computadores, televisores) não respondem a uma boa utilização e inclusão digital, faz necessário agregar a esses programas recursos humanos e metodologias pedagógicas que permitam a utilização dos novos recursos em sala de aula.

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